segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

"Ai, ai, ai, ai...ta chegando a hora"

Para Raphael Fernandes Prado

Se faz preciso acostumar com a idéia da ausência. Quer dizer, não com a idéia, porque ela existe desde que nos conhecemos, é então preciso se acostumar com o fato.
Chegou a hora.
É hora de se acostumar com a ausencia do convivio.
É hora de aprender que a saudade não vai se resolver com um telefonema, um convite pro almoço, um encontro ao acaso no chalezin ou uma pedalada de 5 min até sua casa.
É hora de desapegar da trilha sonora ao fundo...vc e o violão, quantas vezes, me fazendo companhia sem palavras nem conversas...
É hora de reavivar na lembrança as demonstrações mais deliciosas de "explosão de sabores"!!
É hora de convecer esse amor de amigo, que é possessivo e egoísta e não quer te ver partir, de que o desapego é preciso.
É hora de me convencer de que talvez a saudade, que vem, nem vai ser tão doída, de que o tempo vai passar rápido e que, antes que fique realmente dificil, vc vai estar de volta.
É hora de desejar com todo o coração que essa viagem seja exatamente tudo o que você espera...

Despedida

Rubem Braga


E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

From Gabriela Rozman

Uma grande pequena amiga, na distante Londres, viu e lembrou de mim...
It's good to be remembered!

https://www.youtube.com/watch?v=XCMczEBuII4


http://www.sodez.com.br/

quarta-feira, 9 de março de 2011

Preguiça


Eu não sei se isso acontece com qualquer pessoa, mas comigo, não é a primeira vez e, certamente, não será a última.
Em algum momento vc já sentiu uma preguiça profunda e generalizada do ser humano? Uma falta de vontade de qualquer tipo de contato social, profissional ou não, com qualquer outro ser caminhante e pensante (nem sempre) como eu e vc?
Não é uma boa sensação, pelo simples fato de que não é possível, simplesmente se isolar e esperar passar, e mesmo com essa preguiça profunda, é necessário manter o diálogo, tocar o trabalho, sorrir sem querer, quando a única vontade de fato e estar só. Não precisar pronunciar nenhuma palavra, ficar quieta, esperando passar...porque vai passar, sempre passa!
Essa preguiça ja me é uma velha conhecida...e normalmente se traduz num momento de instrospecção muitas vezes necessário, o problema é não conseguir conciliar esse momento com o caminhar da vida e ficar driblando e vigiando essa sensação pra que não se transforme em mau humor, pra que não afete ou fira os que estão em volta e essa atenção aumenta a preguiça e por aí vai...preciso decobrir um lugar para fugir, mesmo que seja apenas dentro da minha própria cabeça.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Depois da festa...

8/11 - Depois de um dia todo de chuva, o sol, curioso, não se aguentou, saiu pra ver a noiva mais linda que muitos olhos ja viram e timido com o brilho da menina que ilumina o recinto, voltou a se esconder, mas agora não atrás das nuvens de chuva, e sim no mar, se apagando aos poucos num vermelho de emocionar!
11/11 O que eu faço com essa saudade que não espera nem uma semana pra se
instalar e mal voltei pra casa ela ja veio junto, na mala de volta, nem
lavando a roupa ela foi embora e ainda tenho nos olhos, nos cheiros e na
memória cada segundo do...- como disse a Fran- finaldesemana.com.amigosperfeitos?
18/11 -Vendo as fotos e revivendo o momento do casamento mais lindo que já vi...Aquela dor no peito, quem dera fosse poesia...Mas era crônica. Não escrita, mas intrínseca...Crônica assim como a saudade que sinto das ivetinhas, não tem cura, montou morada no peito e cá está, todo dia comigo...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

ficar só

Por ter morado tanto tempo sozinha, tem dias que desejo colocar todo mundo porta afora, ligar o som com a voz de Chico cantando Tanto Amar, sorrir e chorar, me entregar às lembranças, num momento solitário e meu, apenas...Ficar só é um ritual de crescimento. Você que me lê nesse momento, usufrui de vez em quando da sua própria companhia?
(Tâmara R.A. Bonfim)