domingo, 24 de abril de 2016

Decepção é uma coisa louca...Tem aquela que é resultado da expectativa - ahhh a expectiva! - que a gente cria, mesmo sabendo que não deve, que a gente cria às vezes inconscientemente, mas cria, e não alcança e se decepciona...essa decepção tem apenas um responsável, no caso nós mesmos.
Mas, aí eu pergunto: uma decepção que a gente não vê chegar, que de repente aquilo em que se acreditou e se cultivou por tanto tanto tempo parece não passar de uma mentira, que vem de alguém em quem sempre se confiou e que a gente ama, ainda é também de nossa responsabilidade por expectativas criadas e não correspondidas?
No complexo construir de relações, em que ponto a convivência e e a vivência e a confiança e o amor deixam de ser expectativas e se tornam algo real? Qual é o prazo?
Meus amigos sempre foram minhas maiores conquistas, eles tem, com seu amor e generosidade e sinceridade, me constituído, ao longo dos muitos anos que nos conhecemos, em uma pessoa melhor e ao longo de todos esses anos eu sempre confiei na relação que construimos juntos...eu sempre acreditei no amor que cultivamos entre nós...mas, se é daí que vem a decepção e, num estalo de dedos, isso passa a soar como irreal?
A responsabilidade ainda é só minha, e estive esse tempo todo construindo expectativas sobre o outros ao invés de relações?

domingo, 17 de janeiro de 2016

Do discenirmento: nem toda relação é abusiva, apesar dos corações partidos.

Eu, com muita frequência escrevo, nos mais diversos contextos, sobre a importância de olharmos para dentro de nós e reconhecermos nossas responsabilidades perante tudo aquilo que nos acontece na vida. Vida essa feita de escolhas, escolhas essas que carregam conseqüências, consequências essas que nos cabem assumir. Mais que assumir aprender com elas, ao invés de simplesmente transferir a responsabilidade e a culpa para o outro, para fora.
Tenho acompanhado os relatos dos movimentos virtuais como #meuprimeiroassedio, #meuamigosecreto e mais recentemente o #naopoetizeomachismo, é assustador o assédio e a violência que sofremos diariamente. Reconheço e apoio a validade desses movimentos mas também me preocupo com o mau uso dessa mobilização, tão importante para dar voz as mulheres vitimadas pelo machismo nosso de cada dia.
Falo em mau uso, porque alguns relatos que li recentemente me parecem não mais do que algum tipo de vingança de mulheres que apenas tiveram suas relações frustradas e seu corações partidos em relacionamentos que não tiveram nada de abusivos...apenas não deram certo.
Relações acabam. Pessoas traem. Amor acaba. Nada dura pra sempre. E em toda história entre duas pessoas, ambas carregam suas responsabilidade na hora de fazer dar certo ou acabar de vez. Parece-me muito desonesto se utilizar da validade dessas mobilizações tão importantes para atacar um ex-parceiro.
Simplesmente assumir que qualquer relação que não deu certo é resultado de abuso ou machismo, desculpa...não cola.
Isso é generalização. Generalizações são burras.
Seria assumir que todos os homens são machistas, abusadores e violentos e todas as mulheres submissas, manipuláveis e incapazes de fazerem suas escolhas.
Encarar viver uma relação é quase um ato de fé, principalmente no inicio. Você não conhece profundamente a pessoa e tem a escolha de confiar ou não que essa pessoa e essa relação podem funcionar. Comunicação é a chave. Honesta e direta. Mas ainda assim pode não ser o suficiente. Porque muitas vezes ouvimos só aquilo que queremos, criamos ilusões e expectativas e quando por fim nos frustramos, a culpa é sempre do outro, que nos enganou.
Mas será que é mesmo?
Exemplo rápido1: O cara insiste em transar sem camisinha. Diz que é só com vc que ele quer assim. Você até sabe que ele sai com outras pessoas, não é um relacionamento exclusivo...você topa mesmo assim. Quando o relacionamento acaba, sai dizendo por ai que ele é um filho da puta, te enganou que não saia com mais ninguém, te convenceu a trepar sem preservativo, blá, blá, blá...desse contexto todo, o que realmente interessa é que você sempre teve a escolha de dizer não. Não transo sem camisinha. Ponto. Nem interessa se era pra ser ou não um relacionamento monogâmico. O fato é que a escolha de usar ou não preservativo era sua também!!! Se vc cedeu por carência, medo de ficar sozinha, ou acha que se deixou manipular de algum forma, assuma!!! E vá fazer terapia.
Exemplo rápido 2: Se eu topo sair com um cara que é conhecido por ser mulherengo, ou por ser baladeiro, ou por beber demais e se nas nossas conversas ele assume em si essas características, ou deixa claro que não quer compromisso sério e, ainda assim, eu topo, arrisco, vou em frente:
(a) faço essa escolha porque tenho a maturidade de lidar com esse perfil
ou
(b) porque intimamente acredito que posso "mudá-lo"?
Minha amiga, se vc respondeu à alternativa b, e  não bancou sua escolha, porque o querido não mudou, e quando acabou vc se sentiu, rejeitada, frustrada, abandonada, com seu coração dilacerado, com raiva de todos os homens do mundo e então resolveu vomitar sua dor nos movimentos virtuais, culpando o ex por todo seu sofrimento, um recado: não faça! Se não foi forçada à nada, violentada ou abusada, física, sexual ou psicologicamente, não faça!
Assuma a porra da sua parcela de responsabilidade nessa historia,  no momento em que optou por se enganar achando que seria capaz de mudar alguém. Não invada espaços tão válidos e importantes para se vitimizar e expor sua carência e frustração, existem outras formas de chamar a atenção. Resolva seus problemas com o ex-querido. Vomite suas dores na cara dele, seja mulher de encarar o fim sabendo que parte desse fim diz respeito à vc também. Não espalhe seu rancor prejudicando, atacando e difamando. Se quer mesmo espalhar alguma coisa, que seja amor...seja maior, seja superior. Porque de dores esse mundo já está atolado.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Não sou de meias palavras.
Nem de meias verdades.
Nem de meias vontades.
Essa vida é por demais
De abundante
Para não ser vivida por inteiro.
Não tenho nessa vida
Nada de meu.
Nada que se quantifique em dinheiro.
Nada de bens.
Nada de reservas,
Nada de matéria.
O que carrego nessa vida
Não se pode pegar com as mãos.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Vamos falar de escolhas?


Semana passada, enquanto uns estavam focados no dia dos namorados, em planos e romances, eu aproveitei a data para visitar a Biofach Brasil 2015.
Fiquei sabendo do evento através de um amigo, quis ir por mera curiosidade e valeu cada minuto de caminhada dentro dessa feira enorme e cheia de novidades pra quem, como eu, quer abrir seu leque de opções na hora de escolher o que e como consumir melhor.
A feira de produtos orgânicos e agroecologia, reuniu muitos mais do que isso. Sim, tinha todo tipo de produto orgânico que vc imaginar, cosméticos, alimentos, brinquedos, (sim, brinquedo!!!) roupas, suplementos...inclusive encontrei um pasta de dente sem fluor que estava procurando faz tempo...adorei! Mas, mais que isso, lá encontrei muita gente. Gente que por estar em um lugar como esse me faz ver que estamos repensando, de verdade, nossas escolhas de consumo.
Às vezes fico achando que a chatice é minha, de querer uma pasta sem fluor, um xampu sem sal e parabenos, saber de onde vem a minha comida e quão tóxica ela é...e aí percebi duas coisas: a primeira é que não, não estou sozinha nessa preocupação...ou melhor, nunca achei que estivesse sozinha, mas na verdade pude ver que somos muitos, muitos mesmo. E a outra é que se somos tantos revendo nossa escolhas, e que se há oferta para suprir essa novas escolhas, e ainda que se essa oferta vem de pessoas, famílias, empresas (grandes ou não) interessadas em produzir de forma natural e menos impactante e com mais qualidade, minhas escolhas de consumo alimentam esses produtores mais conscientes e esses produtores mais conscientes, alimentam minhas escolhas de consumo mais consciente e...voi là!!!! Nós, enquanto consumidores, mesmo que a passos pequenos ou lentos, podemos sim, mudar o mundo!!!
Não vou ser hipócrita, essa é uma mudança de hábitos que não acontece de um dia pro outro. Não, eu não consumo 100% de orgânicos (infelizmente). Não, eu ainda não compro todas as minhas roupas direto de quem as faz, mas busco por isso sempre que posso, e deliberadamente boicoto algumas marcas. E um dia por vez, vou reavaliando e repensando meu consumo em termos de quantidade, qualidade e até de produção de lixo...tudo interligado!
Tem muita coisa bacana rolando por fora do sistema que conhecemos. Procure saber de onde vem os produtos que vc consome.
Afine as suas escolhas com aquilo que vc acredita.
É só uma ideia.