sábado, 8 de março de 2014

Daqui para onde?

Em 30 horas e 40 minutos eu me jogo no mundo. Sim, já estou contando as horas e desde que comecei a contá-las elas não passam. A mistura de ansiedade, angustia, uma pitada de medo e absolutamente nenhuma certeza do que irá acontecer é tudo que cabe no peito agora...na verdade nem tudo...tem também uma saudade que veio pra ficar, e na qual eu parei de pensar pra ver se assim parava de doer.
Mais verdade ainda é que essa saudade foi o gatilho que faltava pra me dar o impulso de transformar uma pequena, mas constante, insatisfação latente em ação. Para aqueles que acham que sou louca e estou deixando tudo só por isso, vai um recado, ou melhor, dois: Primeiro, pouco me importa o que vocês pensam, já chorei e cicatrizei a ferida que me deram seus julgamentos e posso, agora, falar de peito aberto que POUCO ME IMPORTA O QUE VOCÊS PENSAM. Segundo: ninguém além de mim habita a minha pele, conhece meus gatilhos para o bom ou para o ruim, sabe onde dói meu coração ou a minha ansiedade, sonha meus projetos ou paga as minhas contas, então por favor, guardem pra si suas impressões sobre minhas decisões e sobre minha vida, suas experiências não servem pra mim...e se ainda assim me disserem que falam por que se importam, se preocupam ou sejá lá o que for, mais uma dica, um abraço, um sorriso e até um tapinha no ombro, demonstram mais cuidado e preocupação do que qualquer julgamento.
Em 30 horas e 25 minutos eu entro em um ônibus para Florianópolis  e depois disso só tenho mais uma certeza, a de que no dia 18 as 11h43 embarco em um vôo pra São Paulo. O que vai acontecer nesse meio tempo e depois disso é uma incógnita, é um universo inteiro de possibilidades.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

nunca mais, my hazel eyes...

Ele era o começo e o fim do meu dia, todo dia, há exatos 11 anos e cinco meses. Minha primeira atenção da manhã, meu primeiro bom dia, e sempre meu último boa noite. Ele era minha única rotina e por isso eu não quis sair da cama hoje de manhã. Acordei sem rotina. Ele era meu melhor convivio, meu melhor companheiro, meu maior amor. Agora ele simplesmente não é. Não está. E o espaço parece ter perdido o sentido. Eu assumi com ele um compromisso, sagrado, desde o dia em que o vi e o trouxe pra casa, um compromisso que ditou as minhas decisões de viagens, moradia e tantas outras...porque se não fosse bom pra ele não era pra mim. Sem ele, ficar aqui no mesmo lugar, não parece ter sentido. E agora que posso decidir por qualquer coisa ou qualquer lugar, sem ele eu não sei pra onde ir...nunca mais, seus olhos de avelã, a me seguir...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

E a palavra que define é nojo

Segundo o dicionário Michaelis da lingua portuguesa: 
no.jo 
(ôsm (de enojar1 Enjoo, náusea. 2 Asco, repugnância, repulsa. 3 Mágoa, pesar, tristeza. 4 Tédio, aborrecimento. 5 Luto.
Tudo isso junto, todos os significados ao mesmo tempo definem meu atual sentimento em relação a uma parcela muito grande da humanidade. Em menos de uma semana as noticias que acompanho me fizeram sentir asco da espécie humana, tristeza por essa gente e tem me posto freqüentemente em luto pelas conseqüências de seus atos e discursos.Em menos de uma semana, mais uma especie foi declarada oficialmente extinta pela IUCN  (Diceros bicornis longipes), o caos no transporte publico de São Paulo causa revolta nos usuários que são tratados como vândalos por um governo fascista e sabidamente responsável pelas falcatruas que levam a esse mesmo caos e geram a revolta; e como se não bastasse, jovens brancos, de classe média, prendem  e torturam outro jovem, negro, pobre, ladrão (ou não, porque na verdade não faz a menor diferença) em "praça pública"  e já estão livres, fianças pagas, aguardando que a justiça seja feita (justiça?? pra quem???). Enquanto isso, essa parcela da humanidade que me enoja grita a altos brados que bandido bom é bandido morto, repete à exaustão uma longa lista de clichês que justifiquem suas posições de privilegio. Escuta, a verdade é que não importa se é branco, negro, pobre, classe média, ladrão, trabalhador, digo mais nem mesmo se  fosse um estrupador (o que pra mim é a pior categoria de crime que existe)  ninguém, absolutamente NINGUÉM tem o direito de fazer a outro ser humano o que fizeram com esse garoto no Rio. E isso deveria ser óbvio. E o fato de não ser óbvio me da medo...e nesse pé em que as coisas caminham, o que me sobra é uma vergonha profunda da r(e)aça humana.

sábado, 11 de janeiro de 2014

nem melhor nem pior

Já faz um tempo que li esse texto aqui, escrito por esse cara aqui, que vive em Amsterda. O texto é ótimo, põe a gente pra pensar...tanto que depois fica difícil não reparar no comportamento oposto, e tido como normal, que se repete diariamente na nossa sociedade brasileira. Esse comportamento arrogante e, no meu ver, completamente injustificado de se sentir mais e melhor do que o outro...seja lá quem for o outro. Essa mania de se achar muito especial porque tem esse ou aquele título, mais grana ou mais beleza do que o cara ao seu lado. Hoje em dia eu trabalho diretamente com o atendimento ao público no café que abri, e sinto isso na pele. E se já achava esse tipo de comportamento uma merda, agora, do outro lado acho ainda mais...quando vc paga por um serviço, seja ele qual for (a pessoa que limpa sua casa, cuida dos seus filhos, vende o café, cuida da sua saúde, atende vc em uma loja, conserta seu carro, faz seu importo de renda....não importa), isso não torna esse prestador menor que você. Não o torna seu empregado. Não lhe dá o direito de trata-lo com menos respeito, com julgamentos ou arrogância. Todas essas pessoas são necessárias para suprir uma necessidade, realizar uma tarefa do ou para outro que, por impossibilidade, incapacidade ou apenas falta de vontade, vai passar a bola para o prestador de serviço. Eu costumo dizer pra Sheila, a pessoa querida que cuida, por mim, da minha casa, que ela é minha salvadora. Ela me presta um serviço que não gosto de fazer e que também não tenho tempo...ela é minha parceira, ela me ajuda cuidando do meu espaço, ela me quebra um monte de galhos e eu os dela...eu sei da vida difícil que ela teve, eu admiro a mulher que ela é e a capacidade de trabalho que ela tem, e não é o quanto ela estudou, o que ela tem (e certamente ela tem mais e ganha muito mais que eu, não há dúvida!) ou o serviço que ela presta que a definem. Sou grata a ela pelos anos de cuidado que ela tem tido comigo, com meu cachorro e com a minha casa. E daí que eu tenho um diploma e sou dona de um café? Continuo não sendo mais que a Sheila, nem ninguém. Não estou aqui tentando fazer pose de perfeita, também faço julgamentos precipitados, tenho o péssimo defeito de me julgar muito inteligente e às vezes me pego "me sentindo" grande coisa mas hoje eu me esforço pra identificar e bloquear esse comportamento, e mesmo que eu não consiga impedi-los pra sempre, e sei que não vou, eu durmo um pouco mais tranqüila por saber que estou tentando.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Das intermináveis reflexões de fim de ano...

E mais um ano vai chegando ao fim. Foi um bom ano. Muitas e drásticas mudanças. Um grande aperto financeiro. Amigos que se mudaram e deixaram um convívio vazio. Uma nova  e cansativa rotina. E sim, foi um bom, diria até ótimo, ano!
Enfrentei e venci desafios, acreditei na mudança, fechei ciclos longuíssimos e cansativos, fiz 35 anos e vi diariamente os resultados desse exercício de ser uma pessoa melhor. A cada dia repensei meu consumo, minhas necessidades, meus pré-julgamentos e pré-conceitos (tentando cada vez mais me livrar de ambos), meu conceito de felicidade, meu respeito pelo outro, pelas diferenças do outro, me livrei cada dia mais da importância da opinião alheia sobre mim, meu corpo, meus valores. Do outro só desejo o respeito com plena convicção que tenho me esforçado e conseguido, quase sempre, retribui-lo.
A verdade é que só tenho a agradecer por tudo que aconteceu no ano de 2013, mas ainda assim, encerro esse ano com uma certa tristeza por todos aqueles que nada mudaram.
Por todos os padrões e ciclos de desrespeito, e sofrimento, e inversão de valores, e consumismo excessivo, e desigualdade que permanecem...eu fico triste por isso. Fico triste porque isso tudo ainda é muito próximo de mim, porque ouço o discurso machista e abusivo e patriarcal e excessivamente capitalista em todos os lugares, na minha casa, no bar da esquina, na roda de amigos...todo ano, as mesmas pessoas reunidas, as mesmas "brigas", pelos mesmos motivos, os mesmos constrangimentos, a mesma falta de respeito...todo ano, todo ano, todo ano...e as pessoas reclamam que nada muda, e mais uma vez passam o ano todo fazendo a mesma coisa agindo da mesma maneira e esperando que no final desse ciclo, eternamente repetitivo e alimentado com o mesmo padrão de comportamento e a mesma energia viciada em sofrimento, algo seja diferente. Jura? Fazer sempre as mesmas coisas do mesmo jeito e esperar um resultado diferente, para Einstein essa era a definição de loucura, e pra mim, ele nunca esteve tão certo.
Não é fácil descobrir o que te faz feliz, não é fácil descobrir que o que te faz feliz está na contramão do que a sociedade e a mídia pregam como certo e necessário. Mas vale tanto à pena...e é isso que eu desejo a todos para o próximo ano: Coragem!!! Coragem para descobrir o que te faz feliz mesmo que não seja o que esperam de você. Coragem pra mudar de vida, coragem pra ser mais leve, para olhar em volta e ver que existe um mundo além do seu umbigo e das suas vontades, coragem para entender que é mais gratificante ajudar a resolver um problema sendo parte ativa da solução.
Um ótimo novo ano pra todos nós!