domingo, 22 de dezembro de 2013

Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa!


Essa semana assisti a dois vídeos nos quais o tema central é a empatia.
Achei que ambos mereciam ser compartilhados.
O primeiro é uma animação, bem explicativa sobre o que, afinal de contas, é empatia.
O video foi criado pela Royal Society of Arts e faz parte de uma nova série chamada "espresso shots for the mind" (Doses de espresso para a mente, só pelo nome já gostei!). O video acima é narrado pela Dra. Brené Brown, professora pesquisadora da University of Houston Graduate College of Social Work, e nos dá alguns "insights" sobre as diferenças entre empatia e simpatia, explicando por que a empatia é muito mais significativa.
Aproveitei e traduzi abaixo a narração, assim ninguém pode dizer que não entendeu! (apesar de estar literalmente desenhado e animado!)


"Então o que é empatia e porque é muito diferente de simpatia?
Empatia estabelece uma conexão e simpatia leva à desconexão.
Empatia, é muito interessante, Theresa Wiseman é uma acadêmica da área de enfermagem que estudou profissões, as mais variadas delas, onde a empatia é relevante e concluiu que há 4 qualidades inerentes à empatia,  mudança de perspectiva, a capacidade de enxergar a situação a partir da perspectiva do outro e  aceitar essa perspectiva como real com total ausência de julgamentos (o que não é fácil quando se gosta disso tanto quanto a maioria das pessoas, rs!) e por fim reconhecer as emoções e sentimentos do outro e comunicar isso. Empatia é sentir COM a pessoa.
Para mim, sempre pensei empatia como se fosse esse espaço secreto onde quando alguém cai em um buraco escuro e grita lá do fundo: Eu estou preso, está escuro, estou sobrecarregado, e então olhamos e dizemos:  Hey!-descemos até lá- Eu sei como é aqui embaixo e você não está sozinho.
Simpatia é: Oh! está ruim né? Ahn...não...você quer um sanduíche?
Empatia é uma escolha! E é uma escolha vulnerável. Porque para se conectar com o outro você precisa se conectar com algo em si mesmo que conhece aquele sentimento.
Raramente, se não nunca, uma resposta empática começa com "pelo menos". E fazemos isso o tempo todo, e sabe por que? Quando alguém que compartilha algo conosco, algo que é inacreditavelmente doloroso, tentamos "ver o lado bom disso", amenizar as coisas. Então, se alguém diz: eu tive um aborto. Pelo menos vc sabe que pode engravidar. Meu casamento está desmoronando. Pelo menos, você tem um casamento. Meu filho John será expulso da escola. Pelo menos (a irmã) Sarah é uma aluna nota 10.
Uma das coisas que fazemos algumas vezes ao enfrentar conversas difíceis é tentar melhorar as coisas se eu compartilhar algo com vc que é muito doloroso, eu prefiro que vc diga " eu nem mesmo sei o que lhe dizer agora eu só estou muito feliz que você tenha me contado". Porque, a verdade é, raramente uma resposta poderá fazer as coisas ficarem melhor, o que realmente faz algo melhorar é a conexão.

O segundo video, inspirado no livro infantil "Quando nasce um monstro",  foi criado pela Ponto de Criação  para o projeto Reclame Multishow por Um mundo melhor. Entitulado "Mimimi", a ideia é mostrar que melhorar o mundo não é uma utopia e sim uma sucessão de pequenas escolhas. O video mostra de uma maneira divertida como a empatia, ou melhor, as pessoas que a possuem e praticam no dia a dia, podem sim, mudar o mundo!
Não consegui carregá-lo, mas você pode acessá-lo aqui!

E pra encerrar, desejo que no ano que entra possamos ser muito mais empáticos do que apenas simpáticos com o mundo à nossa volta!






sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Das pequenas escolhas, inconscientes, do dia a dia

Domingo à noite, mercados fechados, percebi que tinha acabado meu café (oi? como assim? é o velho ditado, "casa de ferreiro...") nessa mesma noite dei acolhida ao meu amigo amado, Juliano Codorna, em rápida passagem por terras caiçaras, que além de trazer uma dose homeopática de presença contra saudade (Ele, a companheira, minha amiga e comadre de alma, Bianca mais o "nosso" filho Rudá, se mudaram de Cananeia há alguns meses, para minha tristeza) trouxe também presentes pra mim, mandados e devidos pela Bi, entre eles uma dose única de café 100% arábica, orgânico, vindo direto de terras botucatuenses, pense na alegria!!!! Segunda, de manhã, feliz que o ponto alto do meu processo de acordar seria tomar uma café incrível, mandado com todo amor, preparo minha moca com aquele único pó de café especial até perceber que o tempo da moca estava passando do normal...fui xeretar abri a tampa e antes que eu pudesse piscar a cafeteira explodiu na minha cara um jato de vapor e pó de café (100% arabica, orgânico...que dó). Na minha cara, na parede da cozinha até atrás da geladeira, no tapete, nas cortinas, na parede do lado oposto...caos!! E é justamente nesse ponto que entram as pequenas escolhas do dia a dia...não vou nem entrar no mérito de que, graças a ....................... (complete aqui o nome da sua divindade de devoção) eu não tive nenhum tipo de queimadura, afinal quem sabe o mínimo de como funciona uma moca, sabe que estou falando de vapor de água em alta pressão, o fato é, que o acontecido tinha tudo pra acabar com o dia que nem havia começado...lavada de café, cozinha imunda, numa segunda de manhã? Mau-humor na certa né? Não, não é!! Ao olhar minha cara no espelho não pude deixar de rir de mim mesma, da cena toda. No banho, vi que tinha pó de café até na orelha, e isso não tinha como ser nada além de engraçado...quando comecei a limpar tudo pensei na reação que teria anos atrás...certamente a opção do mau-humor e um dia azedo pra começar a semana, e fiquei  ainda mais feliz, e grata, não só por não ter acontecido nada mais grave mais principalmente por perceber que o esforço diário, ao longo desses anos, tem surtido o efeito desejado que é ver essas pequenas escolhas, inconscientes e diárias se direcionarem mais para a capacidade de rir de si mesma e dos imprevistos, do que para o mau-humor e infelicidade. No final de tudo, chegar atrasada ao trabalho rindo do que aconteceu, e perceber que inconscientemente escolho ser feliz é uma vitória e tanto nessa nossa vida imprevisível e caótica!

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Um convite a escrever sobre mim mesma...ou um bom exercício de auto-avaliação


Esse dias gostei de algo que  minha amiga Tati Baccini escreveu e me soou como um bom exercício de auto-avaliação...logo depois ela me propôs que fizesse o mesmo e escrevesse 5 "coisas" sobre mim mesma...minha primeira reação foi: nããã...besteira, não vou fazer...mas aí isso ficou na minha cabeça. A minha segunda reação foi não me julgar capaz de fazê-lo, de olhar pra mim mesma de forma a enxergar as coisas legais e as nem tanto...A terceira reação é esta, tentar.
5 coisas sobre mim que talvez nem eu saiba e podem ser mais que 5:


1-Odeio pisar de meia no chão molhado

2-Eu acredito, de verdade, que sou uma boa amiga...sei que já pisei na bola, e já magoei pessoas que amo, mas sei também que isso faz parte do aprendizado, e é por cada um dos meus amigos, dessa família linda e eclética que me acompanha pela vida, que eu tento todo dia ser uma pessoa melhor

3- Ouvir como justificativa um "porque ele é homem" vai me fazer querer arremessar na cabeça da pessoa qualquer objeto que eu tenha à mão

4-Adoro abraço, principalmente os longos e apertados

5- Nunca quis ter filhos, mas adoro conviver com os filhos dos meus amigos, e sem duvida acho meu sobrinho a criança mais linda do mundo.

6- Não sou muito apegada à família...é certo que os amo, e quero vê-los felizes e bem, mas os momentos que passo com eles devem ser por vontade verdadeira de estar junto, preciso sentir que minha presença é querida, acolhida...nunca por obrigação social...

7- Já que toquei no quesito obrigação social...a pauta é extensa, rs! Não acredito em Natal, dia das mães, dos pais, dos namorados...acho que tudo não passa de uma grande balela, desculpa para estimular um consumismo que também passou do limite e não me convence, mas pra quem gosta e vive esse estilo de vida...ok também, somo diferentes e sempre vou tentar respeitar aquilo que faz de vc uma pessoa diferente de mim...

8- Não faço (quase) nada que eu não queira, não me importa (na maior parte do tempo, afinal esse é um exercício diário) o que pensam ou esperam de mim em termos de imagem, grana ou comportamento, principalmente porque o que a sociedade define como padrões aceitáveis de sucesso, beleza, família não condizem com a linda diversidade que faz as pessoas verdadeiramente interessantes e condizem menos ainda com o meu conceito de felicidade. Eu não vou cumprir com expectativas alheias...

9- Por falar em expectativas, tento não criá-las, falho sempre nas tentativas, e com frequência sofro por antecipação

10- Adoro ter razão e posso ser insuportável nesses casos

11-Nunca tive um relacionamento sério. A criatura com quem convivo diariamente a mais tempo na minha vida e que amo com uma pureza e intensidade de explodir o coração é meu cachorro.

12 – Um monstro autoritário vive dentro de mim e é um trabalho continuo mantê-lo sob controle

13 – Em um período da vida, me vi afastando de perto de mim pessoas importantes por conta do meu comportamento, mau-humor...procurei ajuda, fiz terapia, gostaria de continuar fazendo, e acredito de coração que todo ser humano deveria passar por esse processo.

14 –Gosto (muito!) de sexo e não tenho vergonha de assumir. E pra gostar de verdade penso que é essencial se conhecer primeiro.

15- Mudar de ideia é um dos grandes baratos de ser gente. Tudo que é muito rígido, uma hora ou outra quebra. Prefiro, envergar, envergar, mudar de lado, de cabeça, de opinião e continuar por aqui...além do que acho que é um reflexo do eterno aprendizado que se vive...

16 – Tento ao máximo, muito mesmo, não julgar ninguém pela aparência, gosto, estilo...nem sempre consigo e quando não consigo me recrimino por um bom tempo...

17 – das coisas que me envergonham sobre mim: me irrita gente burra, (eu sei, eu sei, isso é horrível, desculpa, mas me irrita)...talvez porque eu me julgue muito inteligente...

18 - O elogio que mais me deixa feliz no mundo são àqueles relativos à minha comida!

19 - Pouca gente sabe, mas eu já "cantei" no Balão Mágico.

19 -E pra encerrar, pois a pessoa deveria pensar em 5 coisas e acabou mais que triplicando: Não espero que concordem ou compartilhem da minha visão de mundo, mas espero sim, que a respeitem.

terça-feira, 19 de março de 2013

Agora já deu

Ela chegou sem anuncio, há exatos 6 dias. Foi recebida com alegria, quase como uma benção, se derramando sobre nós e aliviando o sol devastador e o calor surreal que vinha nos castigando. Com ela, veio também a brisa fresca, uma leve queda da temperatura e o convite à calça de moleton, meia no pé, sopa e ócio.
Nos primeiro dias permiti que a preguiça fosse convidada a entrar, Ah! que alegria! Cancelei a agenda, organizei a lista de filmes, abri o sofá...No segundo dia ela invadiu a minha cozinha, se infiltrando pelas brechas,  afetando  o conforto, se metendo onde não devia...No terceiro dia, exercitei a paciência, ignorei sua presença  e me aventurei à rua...no quarto, ainda fingindo sua inexistência, fui pra cozinha, fiz pão de queijo (de guarda chuva) sai de casa e almocei com amigos...No quinto dia a vida teve que voltar ao ritmo. Ir ao banco, ao contador, ao mercado, descobrir que não importa quão grande seja um guardassol ( é assim na nova regra?) ele não é tão eficaz quanto um guarda-chuva, não ser mais capaz de ignorar a chuva dentro da cozinha,  perceber que não importa o quanto vc tente manter a casa limpa e agradável  com essa chuva, tudo vai ficar molhado, mofado e fedido, principalmente o cachorro!!!
E hoje, depois de 6 dias de cozinha alagada, chuva incessante e uma previsão nada animadora para a semana eu concluo: se é pra ser 8 ou 80, pode devolver o solzão, S. Pedro!!! Mais facil se resolver com a praia, a casa seca e várias duchas ao dia pra refrescar!

quinta-feira, 7 de março de 2013

Ainda sobre o tempo...extrapolando para a relatividade da vida...

Tenho lido o texto que postei uns dias atrás em doses homeopáticas, dividido em sete dias consecutivos na minha agenda anual (a da Tribo, que amo!!! vai lá: www.livrodatribo.com.br/). E cada dia me faz pensar mais um pouco...ontem juntando tudo e lendo de uma tacada só aqui no blog, fiquei ainda mais reflexiva...
Se me pareceu tão claro que a percepção policrônica do tempo me soa tão mais leve, feliz, agradável  por que então,  carrego essa intolerância em relação à horários e atrasos? Sou do tipo que, se a reunião está marcada pras 9h e as 9h30 não começou tenho ganas de ir embora. Meu argumento pra essa inflexibilidade? O valor do tempo. E pensando sobre isso, conclui que sou uma contradição...caminho em cima do muro entre o tempo linear e o natural.
Por exemplo: até o dia de hoje, o que tenho acreditado é que aquele que marca um horário e não cumpre não tem respeito pelo tempo do outro, acredita que o seu próprio tempo é mais valioso e portanto, não há problema em deixar alguém esperando...por outro lado, há anos optei por trabalhar de forma a não ter horários fixos, cumprindo as metas do dia de acordo com a tarefa para qual me sinto mais disposta no momento- é claro que existem prazos a serem cumpridos, e eu costumo fazê-lo, mas muitas vezes protelar é uma arte.
Também costumo dizer aos meus amigos que ainda vivem na agitação das grandes cidades, que o tempo que economizo no dia a dia, para me deslocar de um lugar a outro, por exemplo, de bike, sem nenhum tipo de trânsito (aqui em Cananéia sequer tem semáforo!) pode ser aproveitado de "n" outras formas, e isso me faz mais feliz. Mas, quando esses mesmos amigos estão aqui nos finais de semana e desprendem-se dos seus relógios, ainda me irrito quando um dele me diz: "ah, já to saindo" , e ao invés de estar efetivamente saindo a caminho de me encontrar, está naturalmente saindo, como um processo e não um ato, um processo que implica, sei lá...escovar os dentes, trocar de roupa, por o cachorro pra fora, pegar a bike, fechar a casa...e sair.
E nessa corda bamba entre contabilizar ou vivenciar o tempo, cá estou. Se bastasse escolher entre uma percepção ou outra, resposta fácil: fico com o tempo, biólogico, natural - o que me diz porque ainda sofro com o horário de verão. Porém, acredito que não é possível uma única escolha entre um ou outro. São várias delas, ao longo do dia, ao longo da vida, um exercício diário de optar por aquilo que nos faz mais feliz, mais leves e tranquilos.
Escolher trabalhar com o que se gosta, percorrer os caminhos mais bonitos ao invés dos mais curtos, preparar, no seu tempo, sua refeições e saboreá-la com calma e prazer, ao invés de comer um sanduíche rápido no boteco da esquina...
Escolher tornar-se consciente da real relatividade do tempo e aproveitar cada minuto, que passa como milésimos de segundo, quando estamos felizes, ao invés de sofrer com esse mesmo minuto, que parece uma hora, fazendo algo que não gostamos.